COMEDIANTE, "SHOW-WOMAN", "ENTERTAINER" - 1949 - |
por ALEX VIANY
"Os dois primeiros filmes de Carmen Miranda em Hollywood — "Uma Noite no Rio e "Aconteceu em Havana" — foram feitos sem que ela soubesse patavina de inglês. Ou melhor, sem que soubesse ligar as poucas palavras já aprendidas. Mas, depois, quando pegou velocidade, não houve quem pudesse com ela. Hoje em dia, seu inglês é quase perfeito — a não ser na tela, quando ainda fala, por imposição dos estúdios, com um pesadíssimo sotaque de comédia, e cometendo erros gramaticais que causariam o suicídio coletivo dos professores de Harvard e Yale.
Aliás, cabe-me aqui — respondendo aos críticos patrícios que não vêem graça em nossa estrela — que a comédia de Carmen Miranda, para ela escrita por cenaristas americanos, é essencialmente dirigida às platéias de língua inglesa. Por isso, é apenas natural que a maioria de seus trocadilhos, de suas piadas, desapareça na tradução. Por outro lado, até os críticos mais severos devem ter observado que Carmen aprendeu depressa a fazer graça, a ficar à vontade diante das câmeras, sendo hoje, sem exagero, uma das pouquíssimas comediantes de valor do cinema norte-americano.
Em Hollywood, em bem pouco tempo a cantora brasileira conquistou os fãs americanos, e sua fama não tardou em se |
espalhar por todos os recantos do mundo. Ainda assim, Carmen jamais deixa de ficar surpreendida quando tem uma prova patente dessa fama. Lembro-me de que falava com surpresa de uma de suas primeiras excursões pela Quinta Avenida, olhando as vitrines, visitando as lojas. De repente, num grande "department store", vimos uma pequena a demonstrar uns lenços coloridos, que amarrava a cabeça numa complicada exibição de técnica. Eram os turbantes à Carmen Miranda. Comprei alguns, só para recompensá-la pela propaganda, mas não fui reconhecida porque estava vestida de Maria do Carmo Miranda da Cunha." (Revista "A Noite Ilustrada", Rio 10-5-1949)
por ALOYSIO DE OLIVEIRA "Por que Carmen Miranda se tornou uma atriz comediante lá fora?
Sua carreira, no Brasil, foi somente de cantora, no entanto ela já tinha esse potencial aqui. A razão disso é que no Brasil — naquele tempo — não havia campo artístico bastante amplo para lhe dar a oportunidade de revelar essa outra faceta do seu talento.
Só nos Estados Unidos isso se tornou possível por intermédio do rádio, da televisão e do cinema. No entanto o seu imediato sucesso foi somente como cantora nos |
"shows" da Broadway.
No seu primeiro filme ela também somente cantou. Já no segundo alguém percebeu essa outra possibilidade do seu talento: a de uma comediante nata.
E foi em "That Night in Rio" com Don Ameche e Alice Faye que isso foi revelado.
Este disco tem como finalidade demonstrar esse fato. Qualquer tipo de auditório de teatro, de rádio ou televisão achava Carmen muito engraçada, não pela aparência das suas roupas, turbantes e sapatos, mas pelo que ela dizia de improviso, quase sempre fazendo uma "gozação" da sua própria pessoa.
As agências americanas, algumas vezes, tentaram arranjar escritores para criar piadas para Carmen. Nenhum deles conseguiu. Ela só se sentia bem dizendo aquilo que saía espontaneamente. A platéia parecia sentir isso também, muitas vezes provocada pela reação dos rapazes do "Bando da Lua", que também espontaneamente reagia sobre as coisas que ela inventava na hora." (encarte do L.P. "Odeon-Evento", SE 11.002, agosto 1975) |
Carmen Miranda em "Sonhos de Estrela" ("Doll Face", EUA, 1945) © Twentieth Century Fox |
"DAILY MIRROR" New York, 6-8-1955, página 2
"Carmen, the highest-paid entertainer in 1951." "She became the highest-paid woman in the nation — collecting $ 201,485 by wiggling her towering turbans and sequined hips and exploding in Portuguese."
(Tradução: "Carmen, a artista de maior salário em 1951". "Ela se tornou a mulher mais bem paga da nação - perfazendo $ 201,485 sacudindo altíssimos turbantes e os quadris cobertos por lantejoulas e explodindo em português." |
Texto extraído do livro "Carmen Miranda - A Cantora do Brasil" de Abel Cardoso Junior Edição Particular do Autor - 1978  |