Carmen Miranda em
GOOD-BYE
[Marcha
De Assis Valente
Acompanhamento da Orchestra Victor Brasileira
Gravado em 29 de novembro de 1932
Disco Victor 33.604-A Matriz 65.605
Lançamento: Janeiro 1933] |
"Good-bye, good-bye boy", deixa a mania do inglês
É tão feio p'rá você, moreno frajola
que nunca frequentou as aulas da escola
"Good-bye, good-bye boy", antes que a vida se vá
ensinaremos cantando a todo mundo (e com prazer)
b-e-bê, b-i-bi, b-a-bá!
Não é mais boa noite, nem bom dia
Só se fala "good-morning, good-night"
Já se desprezou o lampião de querosene
Lá no morro só se usa a luz da Light (oh, yes!)
"Good-bye, good-bye boy", deixa a mania do inglês
Fica tão feio p'rá você, moreno frajola
que nunca frequentou as aulas da escola
"Good-bye, good-bye boy", antes que a vida se vá
ensinaremos cantando a todo mundo (e com prazer)
b-e-bê, b-i-bi, b-a-bá!
Comentários:
Assis Valente, decidido a ingressar na música popular gravou com Aracy Côrtes sua primeira música, "Tem Francesa no Morro" (Columbia, 22.148, 1932), sem maior destaque. Foi quando conheceu Carm de vista, em festivais no República e no João Caetano.
"Mas toda vez que esperava falar com a menina, ela se fazia acompanhar de um homem alto, moreno, sisudo, de pouca conversa, e empunhando um violão, sem capa. Vim a saber, mais tarde, que era o professor dela, Josué Barros. Era tal a minha vontade de falar com a menina que me apresentei, para estudar violão, ao Professor Josué. Não acertava os acordes. Minha única vontade e pensamento era conhecer Carmen. Um dia descobri a pólvora, e fiz uma música para ela cantar: "Bahia, Terra do Meu Samba". Carmen riu muito de minha pronúncia e meu jeito quando cantei a música. Mas gostou. Lançou-a na Mayrink. Ela foi depois contratada para o "Broadway Cocktail", hoje "Sessão Passatempo". Fui assisti-la, eufórico, mas Carmen não cantou o samba. Fiz então "Good-bye, boy", que entusiasmou Carmen. Fui novamente ao "Broadway Cocktail, mas no intervalo, para meu desespero, ela acenou-me: "Tua marcha não vai. O Chico não gostou (Francisco Alves era o programador e fôra quem riscara "Good-bye"...) Diz que não estou segura". Mas Josué se distraiu na hora e tocou a introdução. Carmen começou: "Good-bye, boy..." Foi um sucesso tão grande que me arrancou lágrimas dos olhos. Ela me viu e gritou para o povo: "Vou apresentar, agora, a vocês, o dono da música." Houve um bis, todos cantaram em coro. Senti que tinha surgido. - Revista "O Cruzeiro" - Rio, 3 de setembro de 1955 (entrevista a Ary Vasconcelos)
"Good-bye" foi inspirada numa festa, onde expressões em inglês eram usadas pelo pessoal, sem senso do ridículo. "E indo um dia a vila Isabel, a uma festa em que se declamava muito Olegário Mariano, Menotti Del Picchia, etc., e senhoras trocavam muitos "bye-byes", sentiu-se inspirado e fez o seu famoso "Good-bye, Boy". - "Panorama da Música Popular Brasileira" de Ary Vasconcelos, Livraria Martins Editora - 1965 - que insere a monografia "A Pronúncia Cantada e o Problema Nasal Brasileiro Através dos Discos", de 1936.
"Na gravação, no contracanto, ouve-se uma voz masculina caçoando no estilo de Al Jolson. Seria Lamartine? Na Bahia, em 1932, Carmen cantou mais uma marchinha que não fazia parte oficialmente da marcha: "É vergonha se dançar o candomblé/ É p'rá gente de fogão e de panela/ Já se desprezou a batucada/ Só se dança o "black-botton" na favela." Com essa marcha Assis ganhou o 1º prêmio no gênero no concurso de músicas carnavalescas do Distrito Federal (RJ), cuja apuração se deu a 26 de janeiro de 1933." (Abel Cardoso Junior)
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