Carmen Miranda em
O QUE É QUE A BAIANA TEM?
[Samba
De Dorival Caymmi
Gravada no Brasil com o Conjuncto Regional em 26 de fevereiro de 1939
e nos E.U.A. com o Bando da Lua em 26 de dezembro de 1939
Apresentada na revista da Broadway "Streets of Paris" (29 de maio de 1939 a 2 de outubro de 1940 e no filme
"Serenata Boêmia" (Greenwich Village, 1944)
Disco 23.131 Matriz 67.002]
Carmen Miranda interpreta "O Que É Que a Baiana Tem" no filme "Serenata Boêmia" (Greenwich Village, 1944)
(Carmen Miranda) O que é que a baiana tem?
(Bando da Lua) O que é que a baiana tem?
(CM) Tem torso de seda tem (tem)
Tem brinco de ouro tem (tem)
Colares de ouro tem (tem)
Tem bata rendada tem (tem)
Tem saia engomada tem (tem)
Sandália enfeitada tem (tem)
Tem pano da Costa tem (tem)
Pulseira de ouro tem (tem)
E tem graça como ninguém...!
(BL) O que é que a baiana tem? (bis)
(CM) Como ela requebra bem...!
(BL) O que é que a baiana tem? (bis)
(CM) Quando você se requebrar caia
por cima de mim (tris)
(BL) O que é que a baiana tem? (bis)
(CM) Mas o que é que a baiana tem?
(BL) O que é que a baiana tem? (bis)
(CM) Mas o que é que a baiana tem?
(BL) O que é que a baiana tem? (bis)
(BL) Tem torso de seda tem (tem)
Tem brinco de ouro tem (tem)
Colares de ouro tem (tem)
Tem bata rendada tem (tem)
Pulseira de ouro tem (tem)
Tem saia engomada tem (tem)
Sandália enfeitada tem (tem)
Tem pano da Costa tem (tem)
(CM) Mas só vai no Bonfim quem tem...
(BL) O que é que a baiana tem? (bis)
(CM) Só vai no Bonfim quem tem...
(BL) O que é que a baiana tem? (bis)
(CM) Um rosário de ouro e uma bolota assim
Ai, quem não tem balangandãs
não vai no Bonfim
Ôi, quem não tem balangandãs
Oi não vai no Bonfim
(BL) Ôi, não vai no Bonfim (6 vezes)
Caymmi chegava ao rio em abril de 1938, para tentar a sorte. Em junho fez uma apresentação na Rádio Tupi, com relativo efeito.
Wallace Downey produzia, então, mais um filme musical ("Banana da Terra"), no qual Carmen deveria cantar duas músicas do Ary Barroso: "Na Baixa do Sapateiro" e "Boneca de Piche".
Ary,às vésperas da filmagem, com tudo preparado, pediu dez contos de réis de direitos autorais. Criado o problema, e não sendo encontrado Ary, era preciso providenciar 2 novas músicas. Almirante lembrou-se do baiano Caymmi, de uma sua composição já apresentada no rádio: "O Que É Que A Bahiana Tem", cujo tema era também a Bahia.
Entretanto, a outra música, "Boneca de Piche", não teria uma substituição correlata. Em seu lugar, Carmen e Almirante cantaram "Pirolito", marcha de João de Barro, diretor do filme, e Alberto Ribeiro, e cantaram com a caracterização apropriada para "Boneca de Piche", isto é, pintados como negros. As roupas já estavam mesmo prontas!
Tempos heróicos do cinema brasileiro. Dinheiro curto e improvisação. As cenas eram filmadas uma só vez. Carmen levaria para Hollywood essas experiências no cinema nacional, causando admiração por dispensar repetições de tomadas de cena.
Com "Banana da Terra" e a música de Caymmi nascia a imagem da baiana de Carmen, já esboçada anteriormente. Um êxito na telas, no Cassino da Urca e, poucos meses depois, nos E.U.A.
Caymmi declara: "Fi-lo pensando naquelas mulheres que se vestiam ao rigor da moda e que saiam à rua para saracotear nos dias de festa. Tenho um tio antiquário e como sempre andei "fuçando" velharias descobri uma estampa velhíssima onde se viam baianas autênticas com "balangandãs" e outros enfeites desconhecidos. Querendo divulgar como eram minhas patrícias do passado, criei o samba."
(Vamos Ler, 30-12-1943)
"Em verdade balangandãs é uma penca de pequenos fetiches negros, feitos em prata e ouro, usada pelas baianas de "partido alto" nas grandes festas populares da Bahia (...). A palavra, desenterrada pelo samba, birou quase sinônimo de coisa nacional."
("Cancioneiro da Bahia", de Dorival Caymmi - Livraria Martins Editora - 4ª edição)
Segundo Mariza Lira, a "baiana" não é propriamente um traje típico da Bahia e muito menos do Brasil. Ninguém vê em Salvador, ou no interior do Estado mulheres com esse traje, que sempre só foi usado pelas negras doceiras ou vendedoras de guloseimas em tabuleiros.
E por que ficaram conhecidas por "baianas"? Unicamente porque ao transferirem residência para o Rio, como melhor meo de atrair fregueses, conservaram as vestes espetaculares que usavam na Bahia, em Salvador, e por isso receberam o batismo de "baianas".
De qualquer forma, dentro e fora do Brasil, a "baiana" terminou sendo considerado nosso traje nacional típico, devido à Carmen.
(Abel Cardoso Junior)
Este samba foi regravado por Clara Nunes, junto com Dorival Caymmi, em 1974. (Doni Sacramento)
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