CARMEN MIRANDA
PARA SEMPRE

Site "Moda Brasil"
16 de dezembro de 2005

da redação

Maria do Carmo Miranda da Cunha tinha 1,54m de altura. Carmen Miranda, a diva, era infinitamente grandiosa. Consagrou-se como a primeira artista internacional que o Brasil já produziu e até hoje é considerada a maior artista brasileira de todos os tempos. Carmen gravou trezentos e vinte e duas músicas em dez anos, brilhou no cinema nacional, nos estúdios de Hollywood e nos palcos da Broadway. Morreu aos 46 anos, e seu enterro levou mais de
meio milhão de pessoas às ruas do Rio. No ano em que se completa meio século sem a Pequena Notável foi inaugurada no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro a exposição-espetáculo “Carmen Miranda Para Sempre”, uma homenagem à altura do mito, com patrocínio da Vivo. Do Rio, a exposição segue para São Paulo, onde acontece de 8 de março a 23 de abril, no Memorial da América Latina.

Coordenada pela CMG Worldwide, com curadoria de Fabiano Canosa, direção de arte e cenografia de Cláudio Amaral Peixoto e Cláudio Fernandes, e consultoria e textos de Ruy Castro, a mostra vai relembrar a artista e revelar a mulher por trás da estrela. “Carmen Miranda Para Sempre” será a maior e mais completa exposição já realizada sobre a atriz, com acervo da família, de colecionadores e do Museu Carmen Miranda”, conta Kitty Monte Alto, vice-presidente da CMG e idealizadora da mostra. Entre trajes, jóias, partituras, discos, artigos de jornais, capas de revistas e fotos somam-se quase 700 peças – muitas delas inéditas. Um dos destaques é a série feita pela fotógrafa

Annemarie Heinrich, alemã radicada em Buenos Aires que conheceu Carmen durante a primeira temporada de shows da cantora na cidade, em 1931.

Foi entre 1929 e 1939 que Carmen se transformou na Pequena Notável – apelido dado pelo radialista César Ladeira –, musa do rádio nacional. “Foi uma década memorável. A Europa enfrentava a Segunda Guerra Mundial e, no Brasil, assistia-se ao início do Estado Novo de Getúlio Vargas”, lembra Canosa. “O público vai entender esse contexto”, continua ele, que desde os anos oitenta é amigo de parentes da estrela. A trajetória de Carmen é traçada de forma não-linear, sem começo e fim definidos. “A linha é sinuosa, curvilínea, como as coreografias de Carmen. O desenho da exposição é circular, ela começa e acaba em si mesma porque Carmen não acabou, continua dentro de nós”, pondera o diretor de arte da mostra, Cláudio Amaral Peixoto.

Dois grandes núcleos – Brasil e Estados Unidos – dominam a exposição. Na parte brasileira da mostra o visitante poderá entrar em contato com parte da discografia da estrela, além de conhecer a história de personagens fundamentais em sua carreira, como o Bando da Lua e a irmã e também cantora Aurora. Cartões postais antigos, imagens do Carnaval de rua da época, registros dos lugares que Carmen

freqüentava – como o Cassino da Urca – vão recriar para o visitante o Rio dos anos trinta, sempre embalado pelos registros fonográficos da artista. Trechos de filmes serão exibidos e uma sessão diária do documentário “Bananas is my business”, de Helena Solberg, vai dar ao público uma noção mais clara da carreira da Pequena Notável no Brasil. Criamos diversos ambientes, com linguagens visuais distintas, permitindo várias experiências ao visitante”, explica Claudio Fernandes, diretor da Clan Design, empresa produtora da exposição.

No núcleo americano da exposição-espetáculo, o foco se volta para as produções de que Carmen fez parte, nos estúdios de Hollywood, na Broadway e em outros palcos. “Carmen levou apenas seis minutos para se tornar um nome nos Estados Unidos”, relata o escritor Ruy Castro, responsável por todos os textos da exposição. Um telão, montado sobre a reprodução do cenário de cabaré do filme “Uma noite no Rio”, exibirá as cenas de shows que a artista

protagonizou no cinema americano e vai fazer o visitante mergulhar no universo da produção de época.

Outro destaque de “Carmen Miranda Para Sempre” é o núcleo fashion da exposição, em que os estilistas Carlos Tufvesson, Jacqueline de Biase, Napoleão Lacerda, Marco Maia e Luciano Canale, da Sta Ephigenia, e criadores do Instituto Zuzu Angel mostram trajes recuperados e fazem uma releitura do estilo Pequena Notável de vestir. Napoleão apresenta uma réplica do figurino usado pela diva no filme "Aconteceu em Havana" e um vestido de noite em patchwork de seda pura inspirado no visual que a Notável usava em espetáculos nos Estados Unidos. "Carmen é uma referência de mulher de estilo. Deu uma grande contribuição à moda. Fiz um vestido de noite para a Carmen dos bastidores, que era muito elegante, mas inspirado na estrela", descreve Napoleão.

À Jacqueline, que se inspirou em Carmen Miranda para a coleção de verão 2006 da Salinas, coube a missão de recriar um biquíni da diva feito com estampa de onça. “Carmen Miranda é um coquetel de misturas, tem um lado colorido, kitsch e outro chique. É muito rica em detalhes”, aponta a estilista. “Carmen foi a primeira marca de um estilo brasileiro lá fora. É um grande personagem na história do Brasil”, elogia Tufvesson, que vai produzir a réplica do

bustiê usado pela artista em “Uma noite no Rio”. Já Marco Maia e Luciano Canale foram buscar inspiração no vermelho da boca e das unhas de Carmen para desenvolver um look contemporâneo em que a cor domina da cabeça aos pés. “Carmen usava sempre batom e esmalte vermelhos, era algo muito pessoal. Foi uma transgressora, mas talvez sua contribuição mais fantástica tenha sido para a imagem do brasileiro”, acredita Marco, que também trabalha com o parceiro na reprodução de um traje do filme “Uma Noite no Rio”. O Instituto Zuzu Angel apresentará uma criação inspirada na atriz. Ao término da exposição, todas as réplicas serão doadas ao acervo do Museu Carmen Miranda, assim como três dos seis trajes originais de Carmen pertencentes ao MCM e que estão sendo recuperados para a mostra.

Carmen expandiu seus horizontes além-Brasil e entrou no inconsciente coletivo mundial devido a sua personalidade única e seu incomparável carisma.

“A imagem de Carmen pertence ao panteon do show business somente reservado aos Beatles, James Dean e Marilyn Monroe. O século XX não poderia pedir mais”, complementa Canosa. “Apoiar iniciativas como a mostra sobre Carmem Miranda faz parte de nosso jeito de participar da vida das pessoas, da sociedade, do Brasil. A Vivo constrói uma marca líder não apenas com qualidade em produtos e serviços, mas com a participação ativa na vida da comunidade, interagindo com ela e contribuindo para o seu progresso. Nosso patrocínio nessa exposição é mais uma iniciativa nesse sentido e confirma o compromisso de investir em eventos que valorizam a cultura brasileira. Carmen Miranda tornou-se ícone graças a sua criatividade, inovação, contemporaneidade, ousadia para sonhar e empenho para transformar sonhos em realidade, valores e atitudes que têm tudo a ver com a Vivo”, diz Roberto Lima, Presidente da Vivo.

Saiba mais sobre a imortal Brazilian Bombshell, na matéria “Carmen Miranda, a musa multitalentosa”, arquivada na coluna Rio Link, à direita na home-page Moda Brasil.

Serviço:
No Rio de Janeiro, “Carmen Miranda para Sempre” será exibida de 1 de dezembro de 2005 a 22 de Janeiro de 2006 no Museu de Arte Moderna (MAM) à Avenida Infante Dom

Henrique 85, Parque do Flamengo – tel.: (21) 2240-4944. Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 12h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h. Ingresso: R$ 5,00 reais (R$ 2,00 para estudantes, maiores de 60 anos e crianças de até 12 anos em grupos; grátis para crianças até 12 anos e ingresso-família aos domingos)

Fotos Paulo Jabur