A PRETA DO ACARAJÉ
[Cena Típica Baiana
De Dorival Caymmi
Gravada por Carmen Miranda em 1939]


Intérprete/Singer:
  Dorival Caymmi
Gravação: 1972

Dez horas da noite, na rua deserta
a preta mercando parece um lamento

Iê abará...

Na sua gamela tem molho cheiroso
pimenta da Costa, tem acarajé

Ô acarajé ecó olalai ô ô
Vem benzê ê ê
Tá quentinho!

Todo mundo gosta de acarajé
Todo mundo gosta de acarajé

Mas o trabalho que dá prá fazê é que é
Mas o trabalho que dá prá fazê é que é

Todo mundo gosta de acarajé
Todo mundo gosta de acarajé
Todo mundo gosta de abará
Todo mundo gosta de abará

Ninguém qué sabê o trabalho que dá
Ninguém qué sabê o trabalho que dá

Todo mundo gosta de abará
Todo mundo gosta de abará
Todo mundo gosta de acarajé

Dez horas da noite, na rua deserta
quanto mais distante, mais triste o lamento

Iê abará...

Iê abará...


Com uma obra caracterizada pelos temas praianos e músicas que destacam a beleza de sua terra natal, Dorival Caymmi é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira.

Neto de italianos, seu avô veio para o Estado trabalhar na reforma do Elevador Lacerda, um dos principais cartões postais da capital baiana, Caymmi nasceu em Salvador no dia 30 de abril de 1914. Sua ligação com a música vem desde a infância. Seu pai trabalhava como funcionário público e era músico amador, tocando violão, piano e bandolim, e sua mãe cantava em meio aos afazeres domésticos.

Ao completar 13 anos, interrompeu os estudos, após concluir o 1° ano colegial, e foi trabalhar no jornal "O Imparcial", onde ficou até 1929, quando o veículo encerrou suas atividades. Com 16 anos, já sabia tocar violão, técnica que aprendeu sozinho, e compôs a sua primeira música, a toada 'No Sertão'. Quatro anos depois, estreou na Rádio Clube da Bahia cantando e tocando violão, até que em 1935 ganhou o seu próprio programa: 'Caymmi e suas Canções Praieiras'. Nesta época recebeu um abajur cor-de-rosa ao vencer um concurso de músicas de Carnaval com o samba 'A Bahia também dá'.

Dois anos depois, aos 23 anos, Caymmi pegou um ita (nome dado aos navios que faziam a rota Norte-Sul do Brasil) e foi para o Rio de Janeiro realizar um curso preparatório de Direito e tentar conseguir um emprego como jornalista. Morando em uma pensão e trabalhando em um jornal do grupo 'Diários Associados', continuou compondo e cantando. Em 1938, começou a se apresentar como calouro na rádio Tupi (RJ), de propriedade de Assis Chateaubriand, e, depois de algum sucesso, passou a cantar em um dos programas populares da época, o 'Dragão da Rua Larga'.

No final dos anos 1930, Dorival Caymmi deu um grande salto para o sucesso mundial, ao interpretar no rádio uma de suas canções, 'O que é que baiana tem'. O estilo inovador chamou atenção de uma empresa de cinema que buscava uma música para substituir 'No Tabuleiro da baiana', de Ary Barroso, que foi recusada devido ao alto cachê cobrado pelo artista mineiro, então no auge da carreira. A música, tema do filme 'Banana da Terra', impulsionou a carreira de Caymmi e consagrou internacionalmente Carmen Miranda. O primeiro encontro entre os dois aconteceu na casa do compositor. Logo após ouvir a música que seria tema do filme, a cantora portuguesa criou o figurino de roupas rendadas e balangandãs que marcou definitivamente a sua carreira.

O consagrado compositor e cantor faleceu no Rio de Janeiro em 16 de agosto de 2008 aos 94 anos.