ALOYSIO DE OLIVEIRA
(líder do Bando da Lua, 1914-1995)

"Carmen era uma criatura prodigiosa. Dava, por fora, uma impressão completamente falsa. Era incapaz de ser temperamental. Preocupava-se unicamente com os problemas alheios. Ajudava todo mundo, era pacata, gostando de um grupo de bate-papo, roda de amigos, conversa de gente. Era de um sentido de gratidão tão intenso que Josué de Barros por exemplo, que foi seu descobridor, sempre pôde contar com a sua ajuda. Quando ele esteve doente, Carmen sofria como se fosse pessoa de seu sangue."

(Revista "Manchete", Rio, 26-9-1964, página 125)

"Por que Carmen Miranda se tornou uma atriz comediante lá fora? Sua carreira, no Brasil, foi somente de cantora, no entanto ela já tinha esse potencial aqui. A razão disso é que no Brasil - naquele tempo - não havia campo artístico bastante amplo para lhe dar a oportunidade de revelar essa outra faceta do seu talento.

Só nos Estados Unidos isso se tornou possível por intermédio do rádio, da televisão e do cinema. No entanto o seu imediato sucesso foi somente como cantora nos "shows" da Broadway.
No seu primeiro filme ela também somente cantou. Já no segundo filme alguém percebeu essa outra possibilidade do seu talento: a de uma comediante nata.

E foi em "That Night in Rio" com Don Ameche e Alice Faye que isso foi revelado.

Este disco tem como finalidade demonstrar esse fato. Qualquer tipo de auditório de teatro, de rádio ou televisão achava Carmen muito engraçada, não pela aparência das suas roupas, turbantes e sapatos, mas pelo que ela dizia de improviso, quase sempre fazendo uma "gozação" da sua própria pessoa.

As agências americanas, algumas vezes, tentaram arranjar escritores para criar piadas para Carmen. Nenhum deles conseguiu. Ela só se sentia bem dizendo aquilo que saía espontaneamente. A platéia parecia sentir isso também, muitas vezes provocada pela reação dos rapazes do "Bando da Lua", que também espontaneamente reagia sobre as coisas que ela inventava na hora."

(Encarte do LP "Odeon-Evento", agosto 1975)