ANGELA MARIA (cantora, 1928 -) "Conheci Carmen. Era "macaca" dela. Quando ela esteve a última vez no Brasil, quis me conhecer. Fiquei espantada quando soube que ela tinha todos os meus discos em Hollywood. Fizeram uma festa para ela, na boate Vogue, a rigor. O Vogue, que pegou fogo, era considerada a boate quente da Zona Sul. Quando eu via Carmen Miranda no cinema eu chorava. Nunca pensei que um dia fosse conhecê-la. E havia o Clube dos Artistas, em cima da boate, do qual fui fundadora. Um ponto de encontro dos artistas, onde a gente ia descansar. Quando ela chegou foi aquela fechação total, com aquele vestido de renda transparente, o colo quase de fora, rabo de cavalo, polícia, mil gentes. Eu cheguei na janela do clube para ver. Senti um frio que vinha do dedão até a cabeça e comecei a tremer. Eu estava de calças compridas. ![]() Depois de uma hora mais ou menos subiu o dono da boate. Carmen Miranda queria me conhecer. Não acreditei. O Barão, dono da boate, dizia que era impossível eu estar nervosa, que eu era famosa. Carmen havia sabido que eu estava lá em cima da boate, no Clube dos Artistas. Desci e quando Carmen me abraçou eu comecei a chorar. Sentamos à mesa: ela, Ary Barroso, Antonio Maria, Murilinho de Almeida e Sylvio Caldas. Eu não falava nada. Conheci toda a família de Carmen. Um dia ela queria sair, mas tinha medo porque era reconhecida em todos as lugares. Entäo arranjou um disfarce e saímos. Ela foi de turbante, óculos escuros e sapatão. Ela foi à festa que eu fiz pare ela no Clube dos Artistas. Carmen falava muita gíria como Aracy de Almeida e também muito palavrão." |