DULCE DAMASCENO DE BRITO
(jornalista, 1926-2008)

"Na lgreja do Bom Pastor — na esquina de Santa Mônica Boulevard Drive, a três quadras da casa de Carmen — rezaram-lhe um terço com o corpo presente e, no dia seguinte, teve lugar a missa cantada, oficiada pelo mesmo padre que celebrara o casamento dela com Dave, havia 8 anos atrás. Após a cerimônia, o simpático sacerdote falou sentidamente diante do caixão de Carmen, relatando a maneira como a conhecera e a impressão que lhe causara a sua fé e bondade.

"Foi numa tarde em 1942— contou o velho padre — "A Igreja estava vazia, a não ser uma moça que rezava contritamente diante do altar de Nossa Senhora das Graças. Uma senhora havia me trazido uma criança para batizar, mas, por morar muito longe daqui, e não poder pagar outras passagens para alguém vir, não trouxera a madrinha para a filha. Aproximei-me, então, da moça que orava e perguntei-lhe se me faria aquele favor, de repetir, pela criança, as palavras de batismo. Ela concordou imediatamente, serviu como madrinha do bebê e depois mandou o seu carro branco buscar o resto da família da pobre senhora para uma festa de batizado em sua casa. Eu soube, então, que a moça era a "estrela" Carmen Miranda e sua simplicidade deixou-me uma profunda impressão, solidificada, depois, pelas suas constantes vindas à igreja que se lhe tornou um segundo lar, dando-nos ela um altar novo para Nossa Senhora."

("Revista O Cruzeiro, Rio, 10-9-1955)

Carmen sempre foi fervorosa devota de Santa Teresa do Menino Jesus (Lisieux) e Santo Antônio. Uma imagem de Santa Antônio está colocada em seu túmulo .

"A preciosa coleção de perfumes franceses constituía o "hobby" número dois da "pequena notável" . O número um era praticar a bondade."

(Revista "O Cruzeiro, Rio, 28-1-1956, página 64)