GILBERTO SOUTO

"Carmen pouco falava inglês, e seu vocabulário era limitadíssimo, o que não a impedia de conquistar qualquer pessoa que dela se aproximasse: bastavam os olhos como que iluminados por uma chama invisível — acendiam-se e se apagavam conforme estivesse animada, em palestra, ou em repouso, distraída.

O sorriso era a sua arma mais forte: sorria e mostrava os mais belos dentes que já vi em boca de mulher, e sempre deliciosamente perfumada, mulher, muito mulher, sexo e malícia. E doçura na voz quando queria encantar e seduzir, mesmo que essa voz pudesse elevar-se quando se exaltava com quem lhe fizesse alguma ingratidão. Mas logo esquecia intrigas e maldades, e estava sempre pronta a ajudar a todos os que para ela apelassem, estranhos ou não. A família, que sempre veio em primeiro lugar, não precisava de ser lembrada; acima de tudo, cercava sua mãe de todo conforto, de um carinho especial, sem, porém, demonstrar excessivo sentimentalismo, com "mãezinhas" e outros termos mais piegas."

(FF, 14-8-1969, páginas 56 e 57).