JOSÉ LINO GRüNEWALD
(advogado, escritor, tradutor, jornalista, crítico literário e de cinema, 1931-2000)

"Foi, talvez, a nossa maior cantora, apesar de Elisa Coelho, de Marília Batista, de Aracy de Almeida, de Aracy Côrtes, de Inezita Barroso, de Elizete Cardoso. Seu filete vocal possuía um timbre dos mais expressivos. Permitia-lhe o virtuosismo de vocalizar no samba, proporcionava um fraseado rápido, com um silabar leve, corrido, de estupenda plasticidade. Outra característica do seu estilo: cantava sorrindo, sem quebrar o ritmo — antes, conferindo-lhe maior vivacidade em certas casos — e sem derramar a unidade de interpretação num palavreado caótico. Mas sabia ser dolente e melancólica. Essa outra face da intérprete tem logo um exemplo decisivo: o samba de Synval Silva, "Adeus Batucada".

(Jornal "Correio da Manhã, Rio, 3-2-1965).