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LUIZ MARTINS "Aparecera com a violência de uma explosão atômica, lançada por Joubert de Carvalho, na sua famosa marchinha "Ta í". Possuia uma beleza estranha, toda errada, incompatível com os cânones clássicos, mas cheia da graça, da vivacidade e do "sex-appeal" das moreninhas cariocas do povo — um riso brejeiro, um andar ondulante, uma gíria de subúrbio, uma simpatia espontânea de menina simples e ainda um pouco fascinada pela popularidade súbita e embriagadora. Qualquer disco que gravasse, era um êxito seguro. Ela introduzia na música pequenas e sutis modificações, interrompia o texto da letra para intercalá-la com exclamações inesperadas, tinha inflexões graciosas, tiques pessoais, e cantava com uma voz em que se sentia a sua juventude, a sua felicidade, o seu deslumbramento adolescente diante da vida. Foi muito imitada, mas, a meu ver, nenhuma de suas imitadoras possuiu jamais a sua espontaneidade, a sua originalidade, a sua autenticidade. Sempre achei que Carmen Miranda era a artista de mais forte personalidade da nossa música popular". |