PERY BORGES "Em um espetáculo no Cine Imperial (Porto Alegre), no momento de entrar em cena, Carmen desceu do camarim procurando colocar no peito o seu bonito e valioso broche de brilhantes. A orquestra atacou a introdução e ela, sem vacilar, estendeu a mão para o lado e entregou o broche à primeira pessoa que ali estava e não conhecia: "— Segura p’rá mim, meu bem?..." E entrou em cena. Findo o número e colhidos os aplausos merecidos, subiu correndo a escadaria, rumo ao camarim, completamente esquecida da jóia. Felizmente, ela pusera o broche nas mãos de Renée Bell, que foi procurá-la para restituí-lo." "Seu maior triunfo artístico em Porto Alegre foi "contra" a classe estudantil! No dia da sua estréia no Imperial, os estudantes mandaram pedir que ela cobrasse somente meia-entrada. Carmen recusou: "— Quem quiser me ouvir, que pague." Os estudantes, então, se combinaram. Compraram entradas, mas foram munidos de batatas, tomates e dispostos a dar-lhe uma formidável vaia! Preveniram-na. Carmen não se atemorizou. Entrou em cena com um sorriso, sua graça, seus leves meneios de mãos... e começou a cantar. Poucos minutos depois, o chão da platéia estava cheio dos legumes levados para a pateada e as mãos, desocupadas, dos estudantes surravam-se mutuamente, aplaudindo entusiasmadas a Carmen Miranda!" "Grande virtude tinha a grande Carmen: o saber como o dinheiro ajuda na jornada da vida e o saber até onde vai o valor do dinheiro!... Certa noite, em Porto Alegre, tendo feito seu número no Cassino Farroupilha, recolheu-se ao hotel para descansar. Uns "habitués" daquela casa de diversões, ricas talvez, deram-se ao capricho de querer que ela voltasse com Aurora e fizesse um número para eles. Mandaram-lhe oferecer cinco contos, por isso. Cinco contos, naquela época!... Pois Carmen mandou agradecer e não foi! Não houve insistir!..." |